Código fonte disponível é coisa antiga

Ao ouvir hoje em dias os termos “software livre” e “código aberto”, geralmente se pensa que são idéias recentes, de apenas alguns anos atrás, e para muitos trata-se apenas de uma “moda passageira” ou apenas mais “buzzwords”, coisa que não seria novidade no ramo da informática. Os mais desavisados provavelmente vão pensar que isto é uma moda que se iniciou no fim dos anos 90. Os ainda mais desavisados devem achar que é uma moda de “um pessoal aí” sobre “esse negócio de todos os programas serem de graça”. Mas não é de conceitos mal compreendidos que eu queria falar ainda – é da idade dessas idéias. A origem disso está mais distante que os anos 90.

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2008, o ano em que faremos contato?

Pode ser coisa da minha cabeça, mas vejam só: primeiro, sai o Asus eee no mercado, atraindo as atenções de todo mundo (inclusive a minha… quero um 🙂 ). Daí saem um monte de análises sobre ele… uma belíssima máquina, vai preencher bem um nicho de mercado que estava sendo pouco explorado, coisa e tal. Beleza. Daí que um dos itens comentados sobre o equipamento é o bom uso que ele faz do Linux; um Linux bem adaptado, configurado, que roda rápido e de forma bem responsiva (link para análise do ArsTechnica). Nota para o detalhe de que a máquina aceita Windows XP, sim, mas pelos comentários da ArsTechnica, os consumidores devem continuar usando o Linux mesmo no aparelho, porque está rodando muito bem, obrigado. E então comentam da ausência da Microsoft no mercado de dispositivos móveis recentemente, como a Intel têm investido em Linux para dispositivos móveis, como a ARM também tem feito o mesmo, e como no ano que vem vários produtos com Linux embarcado estarão chegando no mercado. Resumindo, a indústria de hardware está se movendo com muita força na direção do mercado de dispositivos móveis (nenhuma novidade até aqui; esta tem sido a tendência dos últimos anos), e como todo hardware precisa de software para torná-lo útil, a escolha da indústria para SO tem sido, realmente o Linux (também, sem grandes novidades aqui).

Hmmm… no fim, a indústria de hardware, pelo menos de dispositivos móveis, está extremamente interessada em usar Linux.

Daí eu vejo esta outra notícia, sem relação como a primeira: tecnologia de fast-boot na BIOS para máquinas Windows. Cansado de esperar por vários minutos pelo boot do seu Windows? A Phoenix promete, através do uso de sua plataforma Hyperspace, que você vai poder rodar os aplicativos mais comuns rapidamente logo após ligar seu computador, sem precisar esperar pelo boot do SO inteiro. E o que isto tem a ver? Até onde consegui ler, este Hyperspace não tem nada a ver com Linux ou software livre. O que me chamou atenção foi esta parte da matéria:

Those problems don’t just entail slow boot times. At a basic level, they also have to do with Microsoft dictating user experience as a whole, regardless of what machine you’re using. In that vein, Phoenix says its HyperSpace platform could very well usher in a new era of ultrapersonalized PCs and laptops, even upending the way the industry does business.

“Historically, Windows has defined the machine,” Hobbs says, “and (manufacturers) can’t really do anything about that. Now, we’re giving them the ability to develop the machine in the way they want.”

Dá pra perceber o tom deste comentários: a indústria de hardware comentando que até então, o Windows definia a máquina, e o que os fabricantes podiam fazer com elas. E que eles, os fabricantes, querem sair de baixo desta influência.

Bom, dá para interpretar este último artigo de várias formas; novos rumos para a indústria de hardware para PCs, novos usos para BIOS de máquinas, o fato da Phoenix não estar (ou estar?) aproveitando o software livre para esta sua nova plataforma Hyperspace, e daí por diante. O que me chamou atenção nestas duas notícias aparentemente sem correlação – as análises do Asus eee e esta do sistema Hyperwave para BIOS – é o fato da indústria de dispositivos móveis estar pendendo com força para o lado do software livre, a ausência aparente de novas estratégias da Microsoft para este mercado, e este último comentário de fabricantes de PC querendo sair de baixo da influência dominadora da Microsoft (tá, o “dominadora” fui eu quem disse, mas o resto foi a Phoenix). As idéias combinam umas com as outras, ou é coisa da minha cabeça?

Bom, mesmo que seja: o fato é que pelo visto o Linux está entrando com os dois pés neste mercado de dispositivos pequenos e móveis, e por vantagens técnicas. O mesmo não tem ocorrido tanto com o mercado de desktops, mas será que um mercado pode influenciar o outro? Me lembro de 2004, quando todo mundo falava que “2005 será o ano do Linux no desktop”, e no fim das contas esta previsão não se concretizou – o Linux realmente continuou avançando no desktop, mas não no ritmo esperado/desejado pela indústria ligada ao mesmo ou pela comunidade. Enfim… como se fosse um dèja-vu, começo a ver notícias dizendo que “2008 será o ano do Linux no desktop”. Bom, se desta vez vai ou não vai, não sei dizer – pode ser que o ritmo de adoção continue lento, ou pode ser que eu me surpreenda. Espero. Mas, certamente, será o ano em que o Linux irá se tornar sim muito mais presente do que antes, mesmo para os usuários mais comuns, se não for através de seus desktops, será por uma invasão silenciosa em dispositivos que os usuários pouco costumam associar ao pingüim.

ODF ainda vivo

Retirado daqui e visto originalmente no Br-Linux: nos últimos dias têm circulado algumas notícias sobre o abandono por parte da OpenDocument Foundation ao formato ODF (formato aberto, usado pelo OpenOffice.org e BrOffice.org), sobre o formato “aberto” OOXML do Microsoft Office aparentemente estar ganhando terreno, entre outras coisas.

Pra começar, o artigo aponta logo de cara para o fato de que a tal OpenDocument Foundation não é a criadora do formato ODF, apesar do nome sugerir isso. O padrão é mantido pelo Consórcio OASIS. A tal OpenDocument Foundation não tem importância alguma no formato ODF.

Confesso que eu fui um dos que ficaram preocupados com as últimas notícias, mas depois desse artigo dá pra descansar sossegado. As notícias sobre a morte do ODF foram altamente exageradas.

Emacs

Emacs
Retirado da Wikipédia, com adaptações:

O Emacs é um conceituado editor de texto, usado notadamente por programadores e usuários que necessitam desenvolver documentos técnicos, em diversos sistemas operacionais.

A primeira versão do Emacs foi escrita em 1976 por Richard Stallman. Sua versão atual é 22.1 de 2 de junho de 2007.

O Emacs é considerado por muitos o editor de texto mais poderoso que existe. Sua base em Lisp, especificamente num dialeto de Lisp chamado Emacs Lisp, permite que ele se torne configurável ao ponto de se transformar em uma ferramenta de trabalho completa, uma espécie de “canivete suíço” para escritores, analistas e programadores.

Alguns recursos disponíveis no Emacs:

  • Edição colorida e destacada para programação (seja em Lisp, Assembly, HTML, PHP, Python, ShellScript, C, C++ etc. e etc. e etc.)
  • Aceita configurações para comandos de shell (a EShell)
  • Programável em Emacs Lisp
  • Sua flexibilidade faz com que possa rodar dentro dele até mesmo jogos, navegadores web, clientes de e-mail e news e outros programas
  • Tem embutido um programa de inteligência artificial, que simula uma consulta entre o usuário e um psicanalista (sim, é sério).

Para alguém que tente buscar bons editores de texto que sirvam para um programador, o Emacs sempre aparece como um dos indicados, principalmente se você programar para Linux ou em Lisp. Falam que é um editor extremamente poderoso, configurável, customizável, e que pode servidr como uma boa IDE (Integrated Development Environment – Ambiente de Desenvolvimento Integrado) para qualquer linguagem. Contanto, claro, que o usuário se disponha a aprender a operar o editor, cujos comandos chegam a ser quase crípticos. Por exemplo, da primeira vez que você executar o programa e quiser abrir um arquivo, o que você vai fazer? Em um editor “normal” você esperaria encontrar uma barra de menu com um menu “Arquivo”, e dentro dele um item “Abrir”. Bem, não que o Emacs não tenha um menu – ele tem um que pode ser usado no ambiente gráfico, e até no modo caractere, mas o que se espera do usuário é que ele aprenda a combinação de teclas Ctrl+x Ctrl+f para abrir um arquivo.

Emacs em Windows, com o menuUsando Gnus para ler news

Complicação desnecessária? Pode ser, mas o principal argumento a favor disto é que, aprendendo estas combinações de teclas, com o hábito você será mais produtivo, pois o tempo que é gasto pressionando estas teclas é mais rápido que tirar a mão do teclado, pegar o mouse, mover o mouse até o menu, clicar, mover o mouse novamente até o item “Abrir”, e assim por diante. Ainda assim, se você preferir, você pode usar o menu gráfico e até uma pequena barra de botões. Mas tudo no editor é pensado e direcionado ao uso intensivo do teclado.

Falando assim o Emacs soa mais como um vestibular para nerds, só passa quem decorar um milhão de atalhos enigmáticos de teclado. Ou como uma sala de tortura especializada em punir os usuários de mouse, esses hereges que insistem em prestar culto à setinha do mouse ao invés de se render ao mundo dos atalhos de teclado, o único caminho verdadeiro. Mas tudo tem o seu motivo: a seqüência Ctrl+x Ctrl+f fica facilmente ao alcance da mão esquerda, assim como outras seqüências começando com Ctrl+x (são muitas). E depois, mesmo que pareça difícil demais a princípio, há coisas que facilitam muito a vida – tenha em mente que o Emacs não é um editor de texto customizável, ele é um verdadeiro ambiente operacional programável. E as suas capacidades de ser programado para executar tarefas especializadas vão muito além da mera gravação de macros, coisa que outros bons editores têm. Por exemplo, em que outro editor de texto você conseguiria editar seus arquivos, seus códigos-fonte na sua linguagem preferida, compilá-los e debugá-los, e, dentro do mesmo editor, acessar seus e-mails, participar de discussões em um grupo de news, e até mesmo jogar Tetris? (e com essa última descoberta eu cheguei à conclusão de que não sobrou nenhuma fronteira no espaço para o Tetris: se bobear é capaz dele ter sido gravado até no disco dourado do satélite Voyager e estar chegando agora aos confins do universo.)

Tudo isso, claro, se você se dispuser a entender e domesticar o bicho.