Memórias estranhas de infância: tartaruga gigante

Quando eu era pequeno, por volta dos 5 ou 6 anos, eu assisti a um filme que passava na televisão, numa tarde de sábado com meu pai (eu acho que era sábado, porque eu me lembro que era de tarde e meu pai estava comigo). Seria só mais um filme perdido de uma tarde de sábado se o filme não tivesse um monte de cenas estranhas que impressionaram minha mente de criança pequena; eu me lembro muito pouco da história do filme em si, mas me lembro de uma tartaruga gigante, saindo das profundezas do oceano, afundando um barco. Havia uma cena inclusive onde um dos caras que estava no barco ficava enroscado em uma corda, que ficava enroscada na tartaruga, e quando esta saiu nadando de volta para as profundezas levou o pobre cara afogado junto.

Basicamente eu só me lembrava disso. Essas imagens ficaram no fundo das minhas memórias de infância, misturadas com imagens de outros filmes e seriados da época – me lembro de assistir por exemplo a Túnel do Tempo e Daniel Boone quando eu era pequeno, apesar de não entender bem as histórias.

Mas a imagem da tartaruga gigante ficou na minha memória de uma forma diferente… aquela lembrança me dava medo. Eu até me lembro de ficar perguntando pra meu pai, durante o filme, se existia um bicho daqueles, e ele me dizendo que era só filme. Eu me lembro de ter ficado assustado vendo aquela tartaruga gigante, saindo do fundo do mar, destruindo o navio como se fosse de brinquedo, e afundando. Eu até me lembro de outras épocas da minha infância, passando férias na praia, eu olhando pro horizonte do mar e pensando se, lá no fundo do mar, onde ninguém ia, se não existiria mesmo um monstro daqueles – e o pensamento me dando medo.

Mas, enfim, fui crescendo e, a cada 5 anos ou mais, essa memória de infância vinha por algum motivo, e eu perguntava pros meus amigos e colegas, ou até a meus pais, se eles lembravam daquele filme velho. Ninguém lembrava. Ninguém tinha nem a menor ideia de que filme era aquele; para todos os efeitos era como se eu tivesse sonhado com aquilo, ou misturado algumas cenas das minhas memórias de infância e inventado aquele filme. Nem meus pais, nem nenhum amigo meu nunca tinha visto. Perguntavam até se eu não tinha sonhado com aquilo. Mas a memória me era real demais; eu tinha certeza de que o filme existia.

Por volta de 1996/97 eu já estava saindo da faculdade e tinha acesso (discado) à internet (que não tinha tantos sites como hoje, mas enfim…) aquela velha memória de infância volta e eu pesquiso, pesquiso, pesquiso (não tinha Google naquela época, as pesquisas eram no Altavista), e não acho nada. Procuro por “giant turtle movie” e afins, mas nada.

A cada 3 ou 4 anos a memória vinha, eu pesquisava novamente, e não achava nada. Nada. Olhava sites sobre filmes antigos, filmes classe B, filmes trash, pesquisava com todos os termos possíveis, e nada. Perguntava a meus colegas de trabalho, amigos, quem estivesse perto, e ninguém NUNCA tinha visto esse filme, nem ouvido falar.

Até que um dia – um dia – já adulto, há uns 3 anos atrás, eu lembrei novamente deste filme. Pesquisei. E achei um blog onde um cara contava quase a mesma história: viu um filme quando era pequeno que deixou ele impressionado, as imagens ficaram na memória, a cada tantos anos lembrava disso, perguntava pros amigos e ninguém tinha a menor ideia de que filme era aquele… veja a história dele aqui, em inglês.

E foi só então, depois de tantos anos, que eu FINALMENTE soube que não era um sonho e que o filme existia mesmo! O nome dele é The Bermuda Depths, foi feito pra televisão nos anos 70, e realmente foi pouco visto e conhecido. Mas por ser um filme meio ‘impressionante’ – o enredo tinha um pouco de sobrenatural, cenas ‘artísticas’ com cores vibrantes, fora outras coisas incomuns como a tartaruga gigante – quem viu esse filme quando criança ficou com as imagens na memória. Tem VÁRIOS blogs e posts na internet sobre pessoas na mesma situação que eu. Por exemplo, este outro comentário de um brasileiro sobre o filme (tem o filme para download).

Resolvido o mistério de mais de vinte anos, eu baixei o filme e vi uns pedaços (não tive paciência pra ver todo; achei chato) mas revi principalmente as cenas que estavam enterradas na minha memória. É um filme feito com pouco orçamento, com “efeitos especiais” bem simples mesmo. Tipo, o navio que a tartaruga destrói como se fosse de brinquedo é de brinquedo mesmo, a tartaruga é um boneco, e assim por diante. É o tipo de coisa que você assiste hoje e pensa: “que negócio mal feito”. Mas pra mim é estranho; quando eu assisto a essas cenas hoje, o adulto dentro de mim pensa “olha que boneco mais mal feito”, e ao mesmo tempo, ao mesmo tempo, a criança de 5 anos dentro de mim treme e fica assustada, olhando aquele “monstro” gigante, indo pro fundo do mar, sumindo na imensidão. É estranho.

Achei este vídeo no youtube com umas cenas misturadas do filme, pra quem quiser ter uma ideia. Nada especial, só mais um filme estranho de baixo orçamento dos anos 70. E pra mim um mistério resolvido de quase 30 anos.

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Treasure Island

Memórias de infância:

Não lembro onde isso foi comprado, mas tinha quando criança e muito joguei. O jogo começava no painel da esquerda, onde o personagem tinha que tentar chegar na ilha, fugindo de tubarões e um polvo. No painel do meio você ficava jogando o tempo que quisesse, desviando dos fantasmas e catando tesouros, mas com o tempo apareciam mais fantasmas e iam ficando mais rápidos. Por fim, no painel da direita era para tentar ir embora da ilha, desviando de pedras jogadas por um pirata. Simplesinho mas bom para a época.

Histórias de Usuários 2: o terminal, o scanner e o e-mail

Vocês já viram uma tela de um sistema de mainframe em modo caracter? É uma coisa mais ou menos assim:

Sistema de mainframe em tela de terminal. Não olhe muito pra imagem não ficar grudada na sua retina.

Sistemas deste tipo são relíquias dos tempos dos mainframes, do tempo em que o ambiente de informática de uma empresa não era feito de uma estação na mesa de cada funcionário e alguns servidores em uma sala especial, mas de apenas um computador na empresa (o mainframe) e de alguns terminais nas mesas dos funcionários, que não eram computadores de verdade, mas apenas um monitor e um teclado conectados remotamente ao computador “de verdade”. Também eram chamados de “terminais burros” exatamente pelo motivo de não terem uma CPU, sendo apenas extensões do mainframe.

Apesar de não se usar mais terminais burros por aí (pelo menos não que eu tenha notícia), sistemas como este ainda existem e são usados, principalmente em empresas grandes e/ou antigas, bancos, e outras. Hoje em dia há alternativas como por exemplo sistemas web que são meras “cascas” para estes sistemas, mas também ainda há situações em que o usuário ainda acessa o sistema em modo texto mesmo. Para isso, se usam programas chamados “emuladores de terminal”, que interpretam o protocolo de comunicação do sistema como se fossem um dos antigos “terminais burros”, dando ao usuário moderno pelo menos um mínimo de comodidade: acessar um sistema legado em modo texto, mas de dentro de uma janela rodando na sua estação moderna.

Emulador de terminal para Windows. Note a barra de botões.

Bom, passada esta introdução, contarei mais uma historinha de atendimento a usuário. No século passado, em fins da década de 90, eu trabalhava em um lugar onde os usuários acessavam sistemas desse tipo. As estações dos usuários rodavam Windows 98 ou 95. Se bem me lembro, o emulador de terminal usado era chamado EXTRA!, da Attachmate.

Pouco tempo antes haviam sido instalados alguns scanners nas estações de alguns usuários, junto com o software que vem de brinde, um programa de OCR básico. Uma usuária me telefonou perguntando se tinha como scanear um documento para ser enviado pelo e-mail. Eu perguntei pelo telefone se ela queria scanear o documento como uma imagem e enviá-lo como tal, ou se ela queria colar na mensagem o texto que estava no documento (perguntei isto para ver se ela iria querer usar o OCR ou não). Era a segunda opção. Como ia ser bem complicado ensiná-la a usar o programa de OCR pelo telefone, pois ela nunca tinha usado, achei melhor ir lá em pessoa. Além do que eu mesmo ainda não tinha mexido no tal programa, e poderia levar um tempo achando a melhor configuração, redigitando alguma palavra que não foi corretamente reconhecida… enfim.

Chegando lá, ela me passou uma folha de papel: uma impressão de uma tela dos sistemas de mainframe, acessados pelo emulador de terminal. Ela tinha feito uma consulta em um dos sistemas legados, imprimiu a tela do terminal com as informações da consulta, e queria scanear aquela impressão, passar pelo OCR, e por fim enviar o texto da consulta pelo e-mail.

Eu pedi para ela consultar o sistema novamente, selecionei a tela do mesmo, cliquei em copiar, abri o programa de e-mail e colei o texto. Mais um usuário satisfeito.

Filmes atuais como jogos antigos

Não resisti e tive que fazer um comentário desta notícia aqui:

E se os filmes atuais fossem jogos de Atari…

Sinto dizer, mas… o jornalista que escreveu essa matéria tentou comparar os jogos imaginados com jogos antigos de Atari, mas pelo visto ele não entende nada de Atari. Vejamos:

  • O jogo do Lost não parece Pitfall coisa nenhuma. Parece um adventure antigo da LucasArts, acredito que o próprio Monkey Island (assim a ironia é perfeita 🙂 ) (ah, e não era de Atari, era de PC mesmo)
  • O jogo do Avatar foi identificado como sendo mistura de Pitfall com Donkey Kong, mas duvido que seja; deve ser algum outro que não conheço. Quem souber favor comentar. (Mas me lembrou o Macacos me Mordam, do saudoso Odyssey)
  • A pior comparação: o jogo do WALL-E foi identificado como sendo o River Raid… olha bem para aquela imagem e me diga se aquilo parece o River Raid ou o Tetris. Tem até o aviso da próxima peça que vai cair, ali na direita. (e a piada fica completa: Tetris tem conjuntos de bloquinhos caindo para serem empilhados, o WALL-E compactava lixo em bloquinhos e empilhava)

Comentários bônus:

No site da empresa que fez as imagens tem mais alguns outros; tente adivinhar qual é o jogo do monstro de Cloverfield e clique no “more” abaixo para conferir meu palpite.

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Pac-Man explained

English version below.

Lembram do romor sobre o filme do Pac-Man que rolou um tempo atrás? Bem, isto não tem conexão com o filme, mas provavelmente poderia ser a única explicação racional para a história do Pac-Man…

http://www.chrisroberson.net/2008/05/pac-man.html

Eu quero uma camiseta com essa imagem.


Remember the Pac-Man movie rumor a while back? Well, this is not connected to the movie, but this probably could be the only rational explanation behind Pac-Man’s story…

http://www.chrisroberson.net/2008/05/pac-man.html

I want a T-shirt with that pic.